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domingo, 20 de maio de 2012

11º Trecho do Livro - A menina e o violino


Naquela manhã, Mário sentia um grande desconforto em seu peito, não por alguma razão física aparente, apesar de sua saúde sempre fragilizada, mas pela noite de sono mal dormida em que seus pensamentos lhe fervilhavam na cabeça.
Ao subir no bonde costumeiro que o levaria a uma estação próxima de seu local de trabalho, seus pensamentos ainda estavam focados nos últimos acontecimentos da semana, onde recordava os seus diversos credores, já impacientados com a demora em receber os valores devidos por ele, o cobrarem cada vez mais acintosamente, apesar da promessa de que assim que lhe fosse possível, não tardaria em pagar-lhes cada centavo devido.

Autoria: Maurício Ramos

segunda-feira, 14 de maio de 2012

10° Trecho do Livro - A menina e o violino


No momento de se deitarem, o lampião era então apagado para economizar o querosene, e para não deixar o quarto em total escuridão, eram acesas duas lamparinas a óleo, que permaneciam com suas pequenas chamas acesas durante toda a noite, deixando uma atmosfera aconchegante e ao mesmo tempo misteriosa.
Nas noites de chuva forte e raios que cortavam o céu, a pequena Dirce observava pelos vãos existentes entre as telhas de seu telhado sem forro, os clarões que percorriam a escuridão da noite e gelavam seu sangue de pavor.
Nessas noites, inevitavelmente a pequena garota corria aflita até a cama de seus pais e se abrigava entre eles com sua cabeça coberta pelos lençóis. Nada era mais assustador para ela que os barulhos provocados pelos trovões, e estar ali aconchegada entre seus pais, lhe deixava segura e em paz, onde adormecia tranqüila.

terça-feira, 8 de maio de 2012

9° Trecho do Livro - A menina e o violino


Dirce, tinha um carinho especial por seu pai, embora amasse muito sua mãe, mas a cumplicidade entre os dois era muito maior, todas as noites ao chegar do trabalho, mesmo muito cansado ele lhe dava muita atenção.
Contava-lhe histórias infantis, sentado em uma cadeira ao lado de sua cama, sob à luz bruxuleante do velho lampião a querosene.
O quarto em que a família vivia, possuía duas camas, uma de casal e outra de solteiro onde a pequena Dirce dormia.
Havia ainda três cadeiras de madeira, feitas de material muito pesado e compacto, difícil de se arrastar, pelo menos era assim que Dirce pensava, e uma mesa de madeira colocada próxima a porta.
Na parede do lado esquerdo do quarto, ficava o velho lampião de querosene com sua proteção de vidro trincada, que servia para iluminar o recinto durante todas as noites.

Autoria: Maurício Ramos

sábado, 5 de maio de 2012

8° Trecho do Livro - A menina e o violino

A menina era realmente muito sapeca, feliz e falante, sempre conseguia uma maneira de brincar de alguma coisa, mesmo que o local onde moravam e a condição financeira, não lhe favorecessem em nada.
Suas brincadeiras favoritas eram pular corda, o que fazia de maneira muito ágil devido a seu corpinho esguio e brincar de amarelinha, onde ela com um pedaço de carvão tirado do fogão à lenha de sua mãe, desenhava rabiscando o chão do pátio que havia defronte ao quarto onde moravam.
Dirce, também era possuidora de uma imaginação no mínimo fértil, onde conseguia criar sem muito trabalho, aventuras que vivia com seus amiguinhos imaginários, desde florestas perigosas até vales encantados rodeados de cachoeiras mágicas e lindos pôneis azuis.
Sim, ela era muito feliz, mesmo porque seus pais evitavam deixar que ela percebesse a preocupação, que por diversas vezes os atormentavam, preocupações essas com a falta de recursos para o mais básico, bem como com a saúde cada dia mais fragilizada de seu pai.
Uma coisa que chamava a atenção de Dirce, era a atividade de seu vizinho, Sr. Manoel, que para manter o sustento da família utilizava-se de parte do espaço do pequeno pátio para deixar secando algumas peles ao sol, o cheiro forte de curtume que por vezes pairava no ar, fazia com que sua imaginação de criança, acreditasse que ele era um grande caçador de ursos, como aqueles que seu pai lhe contava nas histórias em seus livros infantis, e imaginava batalhas épicas entre aquele português bigodudo e os enormes ursos pardos.

Autoria: Maurício Ramos

sábado, 28 de abril de 2012

7º Trecho do Livro - A menina e o violino

"O tempo foi passando, e a pequenina Dirce foi crescendo, ao completar seis aninhos, seus pais lhe prepararam uma pequena festa de aniversário, onde sua querida mãezinha fez um delicioso bolo de chocolate, cortou em folhas coloridas flores e borboletas e enfeitou as paredes simples do pequeno cômodo.
Cozinhar para Ana Maria era um prazer, mas ao mesmo tempo um sacrifício, afinal a cozinha externa possuía um velho fogão a lenha, e a tarefa de fazê-lo acender, tinha algo de mágico e bucólico.
As lenhas nem sempre estavam secas como deveriam, pois o mau tempo muitas vezes as deixava úmidas demais, ao conseguir as primeiras faíscas, o ato de assoprar e abanar cansativamente para que a chama se encorpasse era exaustivo e muitas vezes frustrante.
Depois de aceso o fogo, cozinhar era um prazer, e com imensa alegria o bolo de aniversário de Dirce foi assado e enfeitado com cobertura de chocolate.
O presente..., bem, o presente foi como de costume nos últimos anos, uma linda bonequinha de pano feita com os retalhos de tecidos que sobravam, sempre com vestidinhos muito coloridos e recheadas com macio algodão.
Para completar a festa, seu amado pai tocava-lhe diversas músicas com seu violino, entre elas a que a menina mais gostava, a “Valsa Dirce” de onde seu pai havia tirado inspiração para batizar sua pequenina riqueza."

Autoria: Maurício Ramos

terça-feira, 24 de abril de 2012

6° Trecho do Livro - A menina e o violino

Ana Maria, uma mulher maltratada pelo tempo, também aparentava uma idade bem superior a sua, os vestidos longos, simples e meio gastos, seus cabelos amarrados em coque com vários fios grisalhos á mostra, conferiam a ela uma idade que somente o peso da vida sempre difícil podia aparentar. Mulher batalhadora que para auxiliar nas despesas domésticas, trabalhava já a muitos anos como costureira, e possuía em sua casa vários retalhos de tecidos de várias cores e materiais.
Sua habilidade com sua velha máquina de costura Singer, fazia dela uma costureira conhecida na vizinhança, o que ajudava e muito a compor o orçamento doméstico.
Sentada em sua cadeira de madeira, com o joelho acionando o pedal lateral da máquina, com tremenda habilidade e rapidez, o retalho rosa já ia tomando forma de um belo forro para o cestinho, enfeitado ainda com um fitilho branco que percorria toda sua extensão, tendo como acabamento, um lindo laço na parte frontal do cesto.
Em apenas alguns poucos minutos, o cesto de vime havia se transformado em um lindo cestinho para bebê, que fora posteriormente colocado sobre duas cadeiras, encostado ao lado da cama do casal, para que  Ana Maria pudesse velar pela sua bela menininha durante a noite.
 
Autoria: Maurício Ramos

sexta-feira, 20 de abril de 2012

5° Trecho do livro - A menina e o violino

"Filha única do casal Mário e Ana Maria, Dirce nasceu no ano de 1926 em sua casa mesmo, com o auxílio de uma parteira amiga da família.
A primeira impressão que causou a todos que a viram chegar ao mundo, foi a de uma bebê frágil e pequenina, porém possuidora de lindos e extenuantes olhos azuis, vivos como o céu mais claro nos dias límpidos da primavera.
Sua pele alva e seus cabelos claros, compunham com delicada harmonia a imagem de uma linda bebezinha, meiga e sorridente.
Em meio a tanta dificuldade vivida pelo casal, a chegada da pequena Dirce, era como o bálsamo que amenizava suas dores, o motivo da alegria e devoção total dos pais, que sentiram-se agraciados por Deus pelo presente recebido.
Porém, tamanha era a dificuldade financeira vivida pelo casal neste período, que não havia sido possível confeccionar o enxoval, nem tampouco comprar-lhe o bercinho para recebê-la.
Eram tempos difíceis, e tudo deveria ser feito com muito carinho porém com muita economia."
 
Autoria: Maurício Ramos

quinta-feira, 19 de abril de 2012

4° Trecho do livro - A menina e o violino

"Apesar de seu grande talento, e de seu imenso esforço diário para conseguir angariar horas extras de trabalho, buscando aumentar sua renda ao final do mês, Mário enfrenta grandes dificuldades financeiras, e a labuta diária lhe cansa de forma atroz, tanto física como mentalmente.
Sua saúde já não é mais a mesma de outrora, e sua preocupação aumenta a cada dia.
- Como poderei suprir as necessidades de minha casa, cuidar de minha esposa e de minha filhinha querida, se sinto-me cada vez mais exausto? - este era um pensamento que lhe ocorria diariamente, pois se com ele trabalhando a vida não era nada fácil para aquela pobre família, como poderiam sobreviver caso até isto um dia fosse-lhes negado?
Ele sabia muito bem o que era isso, afinal estava cada dia mais difícil encontrar e manter um emprego, ele havia sentido na pele recentemente a dificuldade de estar desempregado, com uma família a sustentar e tão poucas oportunidades de recomeçar .
Pai extremamente devotado e carinhoso, marido amável e atencioso, Mário carregava em sua alma a essência da arte, arte esta que a vida privou-lhe de poder usufruí-la como gostaria, mas que sua dedicação e amor, jamais permitiram que lhe afastassem de sua presença.
Seu maior bem material era seu velho companheiro nas horas de alegria e nos momentos de angústia, seu inestimável violino, sim ele possuía não apenas um violino, mas o melhor violino que existia.
Este bem tão valioso foi herdado de seu querido pai, que como amante da boa música, era exímio violinista e após sua morte, deixou como herança a seu único filho o bem maior que possuíra, seu violino Stradivarius.
Por quantas vezes, em meio as aflições de sua existência, não foi por intermédio deste querido amigo, que sua mágoa foi desfeita, e sua alegria, embora tênue como o fio de uma navalha, voltava a preencher sua vida..."
 
Autoria: Maurício Ramos

sábado, 14 de abril de 2012

3° Trecho do Livro - A menina e o violino

"A insegurança apresentada na época para os moradores da capital paulista era enorme, o período era marcado por grandes manifestações de estudantes e conflitos com a polícia.
Neste clima hostil e inseguro é que Mário, buscava através de seu trabalho o sustento de sua família.
Ele era de constituição física fragilizada, muito magro e aparentando bem mais que seus trinta e poucos anos de idade, muito em parte pela calvície avançada que lhe cobria boa parte da cabeça, e pela fisionomia quase sempre cansada.

Estava sempre vestido com seus dois únicos ternos de cor azul marinho, por cima de uma camiseta branca e suspensórios, na saída para o trabalho o seu chapéu panamá marrom escuro era de uso obrigatório.
Filho de italianos, mudou-se para o Brasil ainda muito jovem, e admirador da arte em todas as suas expressões, iniciou seu trabalho como serralheiro artístico, onde sua atividade consistia em moldar belas luminárias e artigos em metal para enfeitarem os prédios suntuosos da época..."
 
Autoria: Maurício Ramos

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Mais um pequeno Trecho do livro - A menina e o violino

"Ao perceber que sua pequena filha havia acordado, Mário parou de tocar por um instante, levantou-se e caminhou até próximo de sua cama.
- Bom dia, minha querida -disse ele carinhosamente à pequena Dirce, que acabrunhada em meio às cobertas, lhe abriu um sorriso terno e meigo.
- Bom dia, papai...respondeu-lhe .
- Não pare de tocar, estava gostando muito desta música - pediu-lhe então a menina.
- Desculpe querida, não queria acordá-la, esta música que estava tocando, chamasse “Primavera de Vivaldi”.
- Ela é linda! Toque mais um pouco papai...adoro ouví-lo.
Com um sorriso no rosto, seu pai aconchegou-se ao seu lado na cama, afastou um travesseiro e ajeitou-se para melhor empunhar seu precioso violino para continuar sua exibição a um público muito especial...sua querida filhinha.
A pequena Dirce tinha apenas seis anos de idade, e morava com seus pais Mário e Ana Maria em uma pequena vila de casas, na verdade mais parecia com um cortiço, pois era um quintal com um único portãozinho de acesso para um terreno, onde haviam construidos ao lado esquerdo três tanques coletivos para lavar roupas, seguidos de duas cozinhas externas e dois banheiros.
No fundo do quintal, dois quartos não muito grandes concluíam a obra, e em um destes quartos é que morava sua família, dividindo o terreno com uma família de  descendentes de portugueses.
A cidade de São Paulo nos meados dos anos trinta, era uma cidade aconchegante, porém repleta de dificuldades para conseguir-se um emprego, ou até mesmo uma moradia mais digna para as famílias menos afortunadas.
A opção encontrada então por Mário, um humilde descendente de italianos, foi o aluguel deste pequeno quarto, para aconchegar sua esposa e sua pequena filhinha..."

Maurício Ramos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Trecho do Livro - A menina e o violino

"Fazia frio naquela manhã de outono, quando pouco a pouco o despertar acontecia embalado por suave melodia.
Ainda com seus olhinhos preguiçosos a pequena menina frágil e delicada ia se desvencilhando das cobertas que a protegiam do frio da manhã.

Era sábado, e seus aguçados ouvidos captavam, a doce melodia que vinha da extremidade do quarto em que dormira. Sentado em uma cadeira, empunhando de forma majestosa seu velho violino “Stradivarius”, ela podia observar a sombra esguia de seu pai, tocando aquele instrumento como se sua própria alma se esvaísse pelas finas cordas, emanando uma mistura de alegria e angústia, através de sua música, algumas vezes entrecortada pelo som incômodo de uma tosse insistente e perturbadora que lhe acometia já a algum tempo.

Como era bom escutar seu pai tocar, pensava ela, ainda relutante em levantar-se para evitar que ele parasse seu pequeno concerto, afinal, ele acontecia apenas aos fins de semana, quando seu pai não estava no trabalho e dispunha de maior tempo para realizar uma das poucas coisas que realmente tinha prazer em fazer, além de ficar com sua família, tocar seu violino.

Com o instrumento apoiado em seu ombro, bem próximo ao seu queixo, ele deixava o arco deslizar de forma suave, produzindo belas melodias, não que ele houvesse se preparado com aulas de música ou coisa parecida, mas a habilidade de aprender apenas ouvindo era um dom que ele sabia muito bem usufruir, “tocar de ouvido”, era assim que ele em sua simplicidade, justificava a qualidade musical que possuía..."

Maurício Ramos